quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Infância

A casa da mãe da Renata está à venda. A Vanessa foi a primeira a mudar quando a gente ainda estava no colégio. Foi só uma mudança pra outro bairro, mas a gente nunca mais se falou com frequência. Foi como se ela tivesse mudado de país, ou tivesse ido colonizar um planeta distante. Eu mesma saí de casa com 18, mas a minha mãe continuou na mesma casa. Era como se as coisas voltassem ao normal assim que eu entrasse em casa. Há alguns anos foi a vez dos pais da Michele e da Fabiana. Agora os pais da Renata estão indo embora também.

Perdi o contato com minhas amigas de infância gradativamente, conforme fomos crescendo e perdendo as poucas coisas que tínhamos em comum. Até pouco tempo atrás minha mãe me atualizava: "Michele mudou pro interior"; "Vanessa foi madrinha de casamento da Dani". Isso acabou. Hoje em dia elas são rostos que o facebook me lembra quando fazem aniversário ou quando engravida.

Cresci com essas meninas. Minhas primeiras lembranças são de umas enfiadas nas casas das outras, brincando, comendo, correndo. Em alguns dos meus aniversários elas foram as únicas pessoas de fora da minha família. Hoje em dia, eu nem sei o que fazem da vida, do que gostam, o nome dos filhos...

A casa da mãe da Renata está à venda. E eu sinto como se parte da minha infância fosse embora junto com o último caminhão da mudança. Faz sentido?


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